O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que os candidatos ao Senado por Mato Grosso do Sul serão o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar. Ele descartou a candidatura do deputado federal Marcos Pollon (PL), que chegou a ser lançado como o “senador do Bolsonaro” pelo ex-presidente da República no dia 29 de fevereiro deste ano.
Em entrevista ao O Jacaré, o dirigente disse que o critério para definir os candidatos foi pesquisa de opinião. “Ficou combinado que quem estivesse na frente nas pesquisas seria candidato. A diferença do Contar para o Polon é muito grande”, contou Costa Neto, sem revelar os números, porque o levantamento não foi registrado na Justiça Eleitoral.
Ele frisou que o critério foi definido em uma reunião com Jair Bolsonaro, o governador Eduardo Riedel (PP), o coordenador nacional da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho, e o presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja.
A decisão acaba com o sonho de Pollon, que chegou a colocar em um quadro o bilhete de Bolsonaro, que o lançava como candidato a senador nas eleições deste ano. Ao ser procurado nesta quinta-feira (2), Pollon não se manifestou. “Ele vai se manifestar no momento oportuno”, informou, via assessoria.
Não é o primeiro
Como o ex-presidente Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar e não pode se manifestar, uma dúvida vai pairar sobre as eleições: o ex-presidente foi traído ou traiu Pollon? Flávio Bolsonaro já tinha antecipado em abril, durante a abertura da Expogrande, que o bilhete do pai não era decisivo e pesquisa decidiria os candidatos do partido ao Senado no Estado.
Só que Pollon ignorou as declarações e percorreu o Estado em campanha como o nome oficializado por Bolsonaro. “Tenho andado pelo Mato Grosso do Sul e muita gente ainda me pergunta ‘vai ser candidato a quê?’. Então eu quero deixar claro: eu sou soldado de Jair Messias Bolsonaro. No mês passado, o presidente me escreveu uma carta de próprio punho me indicando como SEU PRÉ CANDIDATO AO SENADO pelo Mato Grosso do Sul em 2026. Isso já foi definido. Não é bastidor, não é especulação. Isso é ordem. É determinação”, gabou-se o deputado.
“E como eu sempre disse, eu sou soldado, eu cumpro a ordem do meu líder. Eu não vou desistir do Brasil, não vou desistir do Bolsonaro, não vou desistir dos presos do 8 de janeiro e não vou desistir do Mato Grosso do Sul, não importa a porrada que vier. Se o sistema nos odeia, que nos odeie”, destacava Pollon.
“Pra quem ainda tinha dúvida, eu espero que agora tenha ficado claro: eu sou pré-candidato ao Senado pelo Mato Grosso do Sul em 2026”, garantia.
Só que Pollon não foi o primeiro a ser deixado pelo caminho por Bolsonaro. Nas eleições de 2024, o ex-presidente lançou vários candidatos a prefeito da Capital, como Capitão Contar, Rafael Tavares, João Henrique Catan, Adriane Lopes e Tenente Portela, mas acabou optando pelo adversário do boslonarismo no Estado, o deputado federal Beto Pereira, na época, no PSDB.
Apenas no segundo turno, sem opção, ele acabou apoiando a reeleição de Adriane.
Em 2022, Bolsonaro ficou neutro na sucessão estadual até o debate na véspera do primeiro turno. Provocado pela senadora Soraya Thronicke (PSB), ele declarou apoio ao Capitão Contar e turbinou a candidatura do militar, que chegou em primeiro lugar. No entanto, no segundo turno, Bolsonaro declarou apoio aos dois candidatos, favorecendo a eleição de Eduardo Riedel.