Ação violenta da Polícia Militar de Dourados apavora frequentadores de uma conveniência e levanta suspeita sobre a capacidade de policiais militares atuarem no enfrentamento a conflito
A ação truculenta de policiais militares na noite desta quarta-feira, dia 26 de agosto, levantou suspeita sobre a capacidade, treinamento e preparo da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul para atuar no atendimento em ocorrências corriqueiras em Dourados, segunda maior cidade do Estado.
Após ser acionada para atender um discussão em uma conveniência, a PM chegou chegando e colocou todas as pessoas no mesmo balaio, com PM homem revistando mulher, partindo para cima dos clientes e usando de força desproporcional durante a abordagem.
Um PM, totalmente despreparado, sacou a pistola e apontou para as pessoas, num gesto de intimidação e imposição de autoridade. As pessoas entraram em pânico e a guarnição da Rádio Patrulha partiu para cima, dando voz de prisão por desacato mesmo sem nenhum cliente tendo desacatado os agentes.
Para piorar, aqueles mais fragilizados foram jogados ao chão, levaram diversas cargas de choque, foram algemados, colocados no camburão e levados para o 1° Distrito Policial, onde a autoridade de polícia judiciária lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e mandou todas as vítimas dos policiais militares para casa. Nem fiança foi arbitrada pelo delegado, diante do flagrante abuso de autoridade e violência dos policiais militares.
A ação dos policiais despreparados colocou as pessoas em pânico, mesmo porque a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, sob ordens do secretário de Segurança Pública, Carlos Videira, atira primeiro e pergunta depois. São dezenas de mortes em supostos conflitos somente neste ano, onde o tal do enfrentamento da parte contrária nunca é comprovado e sempre prevalece a versão dos agentes da lei ao apresentar corpos cheios de bala.
O Ministério Público Estadual (MPE) deixou de cumprir a função de fiscal de lei, já que não se tem notícia de uma única ação dos nobres promotores de Justiça investigando o abuso de autoridade, o uso da força excessiva e os homicídios praticados por agentes da lei, que seguem protegidos pela farda e pela impunidade dos orgãos de controle.
O episódio dessa quarta-feira em Dourados deve acender a luz de alerta na tenente-coronel Gabriella Letícia Fernandes de Oliveira, que recentemente tomou posse no cargo de comandante do 3° Batalhão da Polícia Militar de Dourados, prometendo uma PM mais humanizada, preparada e perto da sociedade. Do jeito que está hoje, o cidadão, que paga os salários dos agentes da lei, está com medo de ligar para o 190.
Na manhã desta quinta-feira, as vítimas da violência policial tiveram que gastar dinheiro com exames médicos, inclusive de serviços de radiologia, para investigar possíveis fraturas geradas pelas torturas sofridas.