Em depoimento oficial, Loara de Oliveira Ansini negou o crime e disse que o incêndio foi um acidente
A Justiça de Mato Grosso do Sul decretou na manhã deste sábado (23) a prisão preventiva de Loara de Oliveira Ansini, de 36 anos, que ateou fogo no banheiro de um bar e matou carbonizado o morador de rua Gilvan de Assis Figueiredo, 45 anos. O crime ocorreu na madrugada de ontem na Rua Alpes, no Jardim Itália, em Dourados.
Durante audiência de custódia, o juiz Ricardo da Mata Reis acatou parecer do promotor de Justiça João Linhares e converteu o flagrante em preventiva (sem prazo determinado). A Defensoria Pública havia solicitado a liberdade provisória da acusada.
“Conforme se extrai dos autos, a autuada teria, em tese, ateado fogo ao banheiro utilizado como abrigo pela vítima, mediante arremesso de objeto incendiário ao interior do recinto, circunstância que culminou na morte do ofendido, o qual, segundo apurado, ainda clamava por socorro após o início das chamas. A reprovabilidade concreta da conduta extrapola a gravidade abstrata do tipo penal, na medida em que o emprego do fogo em espaço reduzido, fechado e utilizado como refúgio por pessoa em situação de extrema vulnerabilidade, evidencia risco exacerbado à vida e especial brutalidade na execução, circunstâncias aptas a demonstrar periculosidade concreta da conduzida e risco à tranquilidade social caso colocada em liberdade”, afirmou o magistrado.
Ricardo da Mata Reis citou ainda que Loara foi condenada por furto qualificado e como estava em “local incerto e não sabido”, havia sido notificada por edital para cumprimento da pena.
“Não vislumbro, no caso concreto, possibilidade de substituição da medida [prisão preventiva] por qualquer das outras cautelares previstas no artigo 319 do CPP, pois não se verifica, em juízo de proporcionalidade, eficácia ou adequação de qualquer das medidas alternativas previstas em lei”.
Loara foi localizada por policiais civis numa área de concentração de dependentes químicos e confessou o crime alegando ter brigado com Gilvan por causa de droga.
Entretanto, no interrogatório oficial, na delegacia, ela mudou a versão. Disse que estava acendendo o isqueiro nas proximidades da porta do banheiro para procurar pedras de crack no chão. Alegou que somente se recordava de ter colocado fogo em umas sacolas e saiu do local para comprar mais droga, mas não viu que o cômodo havia se incendiado.
Afirmou ainda que “louca, drogada, e também bêbada" e, só quando estava na Praça Paraguaia ficou sabendo que Gilvan tinha morrido queimado. Loara alegou ainda que não sabia que ele estava no local quando acendeu o fogo e disse ter sido “um acidente”.
Outra mulher
Antes da prisão de Loara, a polícia prendeu como suspeita do crime uma mulher de 34 anos, também dependente de droga que perambula pelas ruas na região da Praça Paraguaia. Conforme o procedimento policial, foi Loara que havia apontado essa mulher com o autora do incêndio.
Questionada sobre o motivo de ter acusado outra pessoa pelo crime que cometeu, Loara disse que acreditava ser essa mulher a autora, pois a vítima já tinha batido nela, dando lapadas com um facão. Ouvida como testemunha, a mulher de 34 anos confirmou a desavença anterior com Gilvan por droga, mas disse que a situação já tinha sido resolvida, pois outro dependente químico, amigo dela, tinha pagado a dívida de R$ 10,00 que Gilvan cobrava dela. Com a decretação da prisão preventiva, Loara será levada para o sistema penitenciário.
Reveja o vídeo do momento do acidente: