Foi preso em Caiapônia, cidade goiana a 334 km da capital Goiânia, um dos alvos da Operação Fornax, deflagrada em 12 de maio deste ano contra organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
A prisão ocorreu quarta-feira (24), mas só foi informada nesta sexta-feira (26) pela Polícia Federal. O nome do investigado não foi divulgado. Ele era um dos 6 alvos de mandados de prisão que não foram encontrados no dia da operação. Outros 16 foram presos naquela data, entre eles Alex Benitez Gamarra, apontado como líder da organização.
De acordo com a Polícia Federal, a prisão em Caiapônia ocorreu após trabalho de inteligência desenvolvido pela equipe da delegacia de Ponta Porã com apoio da Companhia de Policiamento Especializado do 14º Comando Regional da Polícia Militar e do Bope (Batalhão de Operações Especiais) de Goiás, da Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e de outras forças de segurança.
No momento da abordagem, o homem utilizou documentos com dados falsos. Por isso, além do cumprimento do mandado de prisão, ele foi autuado em flagrante por falsa identidade.
A operação
Preso em maio, Alex Benitez Gamarra era dono de uma padaria na Avenida Brasil, na área central de Ponta Porã, cidade separada por uma rua de Pedro Juan Caballero.
Investigações iniciadas após a apreensão de quase duas toneladas de maconha em um entreposto da organização, em 2023, revelaram que a padaria, assim como várias outras empresas, era usada para lavagem de dinheiro oriundo da venda de maconha e cocaína.
Dentro da quadrilha, Alex era chamado de “Frango” e “Fufuxo” e possuía contato direto com outro alvo da operação, o tio dele, Eliseo Benitez Céspedes, também preso na operação de maio.
Durante três anos de investigações, foram encontradas anotações em celulares apreendidos pela Polícia Federal com referência ao “Grupo Gamarra Empresas". Além da padaria, Alex Benitez Gamarra teria utilizado academias de ginástica em Ponta Porã e outras cidades para ocultar dinheiro do tráfico.
Registros de agenda, comprovantes de pagamento, fotografias e diligências de campo apontaram Alex Gamarra como o epicentro das operações. A padaria dele foi relacionada diretamente à primeira apreensão de maconha, que desencadeou as investigações, e o estabelecimento logo depois encerrou as atividades, embora ainda apareça no sistema de consulta como CNPJ ativo.
“Os deslocamentos de Alex Benitez Gamarra a outros estados, em companhia de Edison Luiz Figueiredo Carvalho e de Alan Ademir Percecepe (os dois também presos em maio), indicariam possível articulação com estruturas criminosas externas”, afirma trecho da decisão judicial que decretou os mandados da Operação Fornax. Segundo a investigação, interceptações telefônicas mostraram que Gamarra negociou droga e manteve contato com compradores mesmo durante o período em que esteve preso.