Os órgãos das enfermeira Liliane de Souza Bonfim, de 51 anos, assassinada pelo marido na semana passada, em Ponta Porã, fronteira com o Paraguai, salvaram três vidas. A captação ocorreu na manhã do último sábado (7/3), no HV (Hospital da Vida), em Dourados.
Segundo os médicos, foram captados os dois rins e o fígado, sendo transplantados em três pacientes compatíveis – um em Mato Grosso do Sul, outro no estado de São Paulo e o terceiro em Brasília (DF).
Na sexta-feira (6/3), após a confirmação da morte cerebral, a família autorizou a doação, que foi realizada por equipes especializadas e uma complexa logística para garantir que os órgãos chegassem com rapidez aos centros transplantadores.
De acordo com o Hospital da Vida, esta foi a quarta doação de órgãos realizada em Dourados neste ano
O crime
Liliane estava internada em estado gravíssimo desde a última terça-feira (3/3), após ser agredida dentro de casa pelo marido, um subtenente do Corpo de Bombeiros de 45 anos.
Antes do ataque, a enfermeira teria orientado os três filhos do casal, de 17, 13 e 11 anos, a correrem para a rua em busca de ajuda. Conforme apuração policial, os adolescentes possuem diagnóstico de autismo e dois deles também foram agredidos pelo pai, sofrendo ferimentos na cabeça.
A morte da enfermeira foi confirmada pela Polícia Civil no fim da tarde de sexta-feira, após a constatação de morte cerebral pela equipe médica.
Após o crime, o suspeito foi preso. Ele chegou a ser hospitalizado após sofrer ferimentos durante a fuga, recebeu atendimento médico e posteriormente foi encaminhado ao presídio militar em Campo Grande.
O subtenente passou por audiência de custódia e permanece preso à disposição da Justiça enquanto o caso segue em investigação.