Equipes da Polícia Militar, com apoio da Polícia Civil, atenderam, na madrugada deste sábado (14), uma grave ocorrência de lesão corporal dolosa registrada na região sul de Ponta Porã.
A equipe de radiopatrulha da Área Sul foi acionada após denúncia de que uma pessoa havia sido violentamente agredida em uma residência nas proximidades da rodoviária da cidade.
No local indicado, os policiais encontraram a vítima de 29 anos de idade em um estabelecimento comercial em frente ao terminal rodoviário. A vítima, de sexo masculino e nome social feminino (mulher trans), apresentava diversas lesões pelo corpo, incluindo um hematoma na cabeça causado por uma agressão com a utilização de um taco de sinuca, olho roxo e uma queimadura em forma de suástica no braço esquerdo, além de relatar ter sido agredida e mantida sob ameaça por três suspeitos.
De acordo com o relato da vítima aos policiais, ela teria sido chamada até a residência de um casal para receber pagamento por serviços e realizar um corte de grama. Ao chegar ao local com o companheiro, de 22 anos, foi conduzida até um escritório da residência, onde iniciou-se uma discussão que evoluiu para uma série de agressões físicas e ameaças.
Ainda segundo a vítima, o companheiro dela a segurou, enquanto dono da casa, de 38 anos, e a mulher dele, de 25 anos, desferiam golpes com um taco de sinuca, além de socos e chutes. A vítima relatou ainda que um dos autores segurava uma faixa azul de jiu-jitsu, levando-a a acreditar que seria enforcada com o objeto. Um dos autores também afiava uma faca e observava a vítima durante toda a situação.
Em determinado momento, os autores teriam aquecido a faca e utilizado o objeto para marcar o braço da vítima com o símbolo da suástica, além de terem quebrado o aparelho celular da vítima para impedir que ela pedisse ajuda. Conforme o relato, a dona da casa chegou a cravar uma faca no telefone da vítima e ironizou a situação dizendo: "Agora você não poderá pedir ajuda de ninguém... que peninha!".
Após as agressões, a vítima foi liberada e ameaçada pelos suspeitos, que afirmaram que ela teria a cabeça decapitada com uma foice caso contasse o ocorrido a alguém. Em seguida, a vítima, bastante abalada, conseguiu buscar auxílio em um estabelecimento comercial, momento em que a Polícia Militar foi acionada.
Com base nas informações repassadas, a equipe policial realizou diligências até a residência dos autores. Um dos envolvidos, o companheiro da mulher trans, foi localizado nas proximidades e reconhecido pela vítima, sendo preso em flagrante.
Na sequência, com apoio de outras equipes do 4º Batalhão de Polícia Militar, os policiais foram ao endereço onde ocorreram as agressões, indicado pela vítima. Após diversas tentativas de contato sem resposta, foi realizada nova abordagem no imóvel, momento em que os outros dois suspeitos (o dono da casa e a esposa dele) atenderam os policiais e foram conduzidos para esclarecimentos.
Durante as diligências, o morador da casa onde os fatos ocorreram, apresentou sua versão aos policiais. Segundo ele, dias antes do ocorrido, sua companheira teria encontrado um coágulo ao retirar um coletor vaginal, acreditando tratar-se de um possível feto, fato que teria causado forte abalo emocional ao casal, já que ambos desejavam ter um filho. O material teria sido guardado em um recipiente, pois a companheira acreditava tratar-se de uma possível perda gestacional.
Ainda conforme o relato, a mulher trans prestava serviços domésticos na residência e teria recebido pagamento antecipado por uma semana de trabalho, porém não teria comparecido para realizar as atividades combinadas, o que teria causado descontentamento, especialmente porque a companheira do suspeito acabou, aparentemente, perdendo sua gestação ao realizar tarefas domésticas sozinha.
O suspeito afirmou ainda que, dias depois, encontrou o namorado da vítima em um supermercado da região e decidiu convidar o casal para comparecer à sua residência para realizar um serviço de corte de grama e resolver pendências relacionadas ao trabalho. No entanto, durante a conversa entre os envolvidos, teria ocorrido uma discussão que acabou evoluindo para a confusão. O morador negou ter marcado a vítima com a faca aquecida.
A vítima e os autores foram encaminhados à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, onde o caso foi registrado e seguirá sob investigação. A mulher trans recebeu atendimento em razão das diversas lesões apresentadas.