A produção de tilápia no Brasil enfrenta desafios significativos durante os períodos de calor intenso, especialmente em regiões tropicais, onde a temperatura da água pode ultrapassar os limites considerados ideais para o cultivo – entre 25°C e 30°C. Em temperaturas próximas ou superiores a 30°C, é essencial redobrar a atenção aos manejos diários. A exposição prolongada a temperaturas elevadas compromete o desempenho zootécnico, a sanidade e a sustentabilidade econômica da atividade.
Um dos principais impactos do calor excessivo é a redução da concentração de oxigênio dissolvido na água. O aumento da temperatura diminui a solubilidade do oxigênio, ao mesmo tempo em que eleva o metabolismo dos peixes, intensificando sua demanda respiratória. Esse desequilíbrio pode resultar em quadros de hipóxia, com redução dos níveis de alimentação, menor ganho de peso e, em situações mais graves, mortalidade.
O estresse térmico também tem impacto direto sobre o sistema imunológico da tilápia, tornando os peixes mais vulneráveis a enfermidades bacterianas e parasitárias, como Streptococcus, um dos principais desafios sanitários, e exigindo maior rigor no monitoramento, além da adoção de medidas profiláticas mais eficientes e incidência de custos adicionais relacionados ao manejo e aos tratamentos.
Aliás, o manejo nos períodos de alta temperatura exige ajustes operacionais estratégicos. Redução da densidade de estocagem, utilização de sistemas de aeração mais eficientes, monitoramento contínuo dos parâmetros físico-químicos da água e adequação dos horários de alimentação são fundamentais para mitigar os efeitos adversos do calor.
Diante das projeções que indicam o aumento da frequência e intensidade das ondas de calor devido às mudanças climáticas, os desafios enfrentados dos piscicultores devem se intensificar. Adaptar-se às condições climáticas extremas é essencial para garantir competitividade e sustentabilidade da piscicultura brasileira.